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Qual o melhor tipo de aula?

  • Oct 19, 2015
  • 2 min read

Esta é uma pergunta de um número cada vez maior de professores: 'Que tipo de aula devo ministrar? Uma aula teórica-expositiva, ou uma aula prática, com os alunos ativos? Devo usar data show, ou apenas o quadro? Vídeos, simulações, aplicativos, ou apenas lápis e caderno?'

Um dos grandes desafios dos professores da atualidade é conseguir atrair e manter a atenção de gerações cada vez mais tecnológicas, onde a lógica começa a mudar, a forma de ver e interagir com o mundo se modifica.

Devemos ir ao encontro deles, ou eles devem vir o nosso?

São perguntas difíceis de responder, e penso que não há uma resposta definitiva e estática. Há uma resposta mutante, e adequada para cada situação. Tem dias que o uso da tecnologia é mais adequado, e dias que apenas uma cadeira e a atenção de todos é suficiente.

Cada vez surgem mais artigos sobre aprendizagem ativa, e que como devemos levar isto para a sala de aula. Há um artigo que diz que dar palestras (aulas totalmente expositivas) já é considerado anti-ético. Eu penso que anti-ético é não se atualizar, é não se reinventar, é permanecer estático. Fazer a mesma coisa todos os dias e com o passar dos anos. Não inovar, mesmo quando a inovação vem com cara de velho, de passado. Ano pós ano, ministrar a mesma aula, com os mesmos intervalos, mesmas anotações, mesmas avaliações, me parece uma falta explícita de comprometimento. E não importa se a aula é inteiramente de laboratório, com tudo que as teorias de aprendizagem ativa nos ensinam, ou se a aula é inteiramente expositiva, onde o professor é o detentor do supra-sumo do conhecimento.

Existe uma pressão invisível que nos leva a escolher uma postura. Sempre é preciso escolher uma determinada postura, em relação a tudo. Você precisa ser de direita ou de esquerda. Gostar mais do vermelho ou do azul. Aplicar a teoria nova ou a antiga. O conhecido maniqueísmo. Há pouco espaço para os meios, para aqueles que gostam muito do vermelho um dia, e estão apaixonados pelo azul no outro. Para os que simpatizam com a esquerda, mas conversam com a direita. Para aqueles que buscam diversificar, manter a mente aberta para o novo sem abrir mão do antigo.

É possível utilizar tudo que a aprendizagem ativa tem para oferecer, e ao mesmo tempo construir aulas expositivas super interessantes, de quadro-negro ou branco, com demonstração de equações ou construções de argumentos e direito à participação do público.

O mundo pode ser cada vez mais tecnológico, mas para a construção deste mundo é necessário pessoas que pensem, que argumentem, que defendam ideias, que tenham foco e atenção, que saibam sintetizar conceitos e histórias, e também saibam resolver analiticamente as equações de Maxwell. A maioria dos estudantes já chegarão na universidade sabendo usar todas, ou quase todas, ferramentas das tecnologias modernas. Mas poucos os que chegarão sabendo construir um argumento e onde utilizar Pitágoras.

Cabe a nós, professores, aprender a dosar o antigo, o atual e o pós-moderno, para construirmos aulas cada vez mais eficientes e produtivas, que no fim do caminho, é o maior objetivo.

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